Wednesday, August 02, 2017

The End

Porque tudo na vida chega ao fim, não é mesmo?

Infelizmente a partir de ontem não tem mais Felipe e Gisele. Não tem mais Primo e Gi. Acabou. C'est fini. Bem como a razão de ser desse blog.

Esse blog foi criado em 2004. Eu sempre o usei pra falar de tudo, mas a sua fundação foi basicamente causada pela aparição da Gisele na minha vida. Queria reproduzir aqui duas das coisas mais bonitas que considero que já escrevi na vida, lá pelos idos de 2004.

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(originalmente publicado em http://mundosemnocao.blogspot.de/2004/09/mundo-estranho.html)

É estranho... alguém que vc nunca imaginou q soubesse, sei lá, teu sobrenome, de uma hora pra outra, se revela como a pessoa que mais te repara. 

Ela sabe tudo que passa na sua cabeça, sabe a motivação dos seus estranhos atos, sabe que cada pirueta aparentemente mal colocada, foi assim colocada deliberadamente, justamente pra causar estranheza e comoção na platéia. 

E o que é mais paradoxal: ela gosta daquela falsa congruência, e ainda o admira por isso! 

Tipo, você é completamente transparente e previsível pra ela, e ainda assim, ela consegue achar graça e se interessar por isso! 

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(originalmente publicado em http://mundosemnocao.blogspot.de/2004/09/mundo-utpico.html)

Devia ser lei. 

Todo mundo devia ter ao seu lado, pelo menos uma vez na vida, alguém que gostasse de tu do jeito que é. Alguém que te dissesse: "Pode ficar assim até morrer pq eu gosto de vc assim, e não quero que mude nada". Todo mundo devia poder saber qual a sensação que se tem ao ouvir isso. 

Eu, particularmente, passei, digamos, os últimos 8 ou 9 anos, buscando isso. E nem achava mais ser possível acontecer comigo. 

Sentia inveja da Robbie quando ela falava: "Não emagreço por causa do Fabiano. Ao invés de me dizer que tô gorda, pra eu tomar vergonha na cara, ele fica dizendo que eu tô linda!". Não por achar babação de ovo, ou nada de ruim, mas por não saber que diabos se sente quando se ouve algo assim. 

Agora eu sei. 

(se for sonho ou mentira, pelo amor de Deus, ninguém me acorda. Ei, você. Brigado por me deixar saber como é.)

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Ainda que não tenha virado lei, felizmente eu tive essa sorte.

Eu gostaria de ter proporcionado o mesmo. Gostaria de não ter cometido os erros que cometi, de não ter falado as coisas erradas que falei, gostaria de poder consertar o passado só pra poder voltar a ter o futuro que eu queria pra mim.

Mas não dá mais. Infelizmente perdi a Gisele. Acordei do sonho. Foi bom enquanto durou. Foram 13 excelentes anos. Infelizmente não serão 14.

A dor é muito grande. É imensa. Apesar de amar a cidade em que vivo, eu não quero mais viver aqui. Não faz mais sentido. Nada faz mais sentido.

Eu fico olhando o celular, esperando uma mensagem qualquer que eu sei que não vai chegar. Fico aterrorizado com a chegada da noite e a perspectiva de dormir sozinho. A cada 5 minutos tenho que me re-convencer de que dessa vez não há esperança de volta, é definitivo.

Tenho certeza que vocês sabem disso, mas não custa falar novamente: a Gisele sempre foi uma baita companheira. De todos. Sempre disposta a ajudar, a desencavar respostas às necessidades dos outros, a se anular em detrimento de pessoas que não a mereciam, sempre colocou o outro em primeiro lugar (algumas vezes, até demais, na minha opinião).

Vocês não sabem o que foi nossa mudança pra Alemanha. Cheguei aqui com tudo mastigado, só precisei ir pro escritório, sentar na minha cadeira e trabalhar, porque Gisele tinha feito todo o trabalho de pesquisar tudo relacionado a nossa nova vida: visto, procedimentos burocráticos, absolutamente tudo.

Sem contar o quanto ela sempre me apoiou e estimulou a perseguir meu sonho de sair do Brasil. Toda vez que eu aparecia falando sobre uma vaga louca de emprego, a resposta era sempre a mesma: "aplica!".

Todas as vezes em que chorei e me desesperei por estar longe da minha família em uma data especial, ela sempre teve todo o carinho e paciência do mundo pra me ajudar a dar a volta por cima. Eu nunca a amei tanto quanto nesses anos fora do Brasil.

Mas, infelizmente, a perdi. Acabou. Assim como esse blog.

Não pretendo mais escrever aqui. Talvez eu crie um outro blog pra falar da vida, não sei. Mas esse aqui acabou. Morreu porque eu me sinto morto por dentro.

Antes de terminar e me entregar a solidão de uma cama vazia, gostaria de agradecer a musa inspiradora desse blog.

Muito obrigado, Gisele, pelos melhores anos da minha vida. Eu gostaria muito que fôssemos felizes juntos pelo resto das nossas vidas, mas já que não dá, desejo que você seja muito feliz por toda a sua vida. Você merece. Faço votos que você encontre uma pessoa que te faça muito mais feliz do que eu jamais consegui.

Wednesday, September 30, 2015

A vida muda...

Tempo que não sai nada aqui, né?

Só queria falar rapidinho sobre a vida. É engraçado acompanhar como a vida muda a gente e nossas prioridades.

Ontem fiz entrevista pra empresa onde eu sempre quis trabalhar. Há uns 7 anos, desde que ouvi falar nessa empresa, se tornou meu objetivo de vida. E ontem eu estava (e ainda estou) considerando seriamente recusá-la se tudo for pra frente da melhor maneira possível.

Você deve estar se perguntando por que diabos eu faria isso. E eu explico.

Essa empresa tem como política botar o empregado pra viajar o mundo. E aí você pode perguntar se eu tô maluco e por que diabos eu recusaria emprego num lugar desses. O meu eu de 7 anos atrás e o meu eu de um ano atrás estão me perguntando isso nesse momento, por sinal.

A questão é que eu mudei (por sinal, que bom! Imagina que bosta ser o mesmo todo santo dia!). E o lugar onde eu moro também. E as condições que me cercam também.

Por exemplo, aqui somos só nós dois sozinhos, não temos mais ninguém. A gente não fala o idioma local direito e não temos tantos amigos assim. Na hora que der alguma merda, eu não quero estar longe da Gisele, quero estar do lado dela. E eu também não quero deixar a Gisele sozinha a semana inteira, quero estar perto dela.

Além disso, eu realmente gosto de morar em Berlim. Além de achar a cidade linda e extremamente divertida, eu malho na academia que eu gosto e escolhi a dedo. Fazemos aula de alemão com uma professora que gostamos e escolhemos a dedo. Moramos no bairro que mais gostamos em Berlim, a poucas quadras da nossa sorveteria preferida no universo e do nosso restaurante indiano preferido de todas as horas, no apartamento pelo qual nos apaixonamos à primeira vista. Eu simplesmente não quero passar a semana morando num apartamento sem personalidade num lugar que eu não escolhi só pra marcar um check em mais um item da minha lista de sonhos de vida realizados. Apesar de continuar amando minha profissão, descobri que há outras prioridades na vida e to gostando disso (pelo menos, no momento, a despeito das agruras da vida -- dessas a gente não escapa mesmo).

É isso, só queria falar sobre isso nessa linda manhã de sol na qual avisto um lindo canteiro de begônias vermelhas na varanda do vizinho da frente. O outono tá chegando e, apesar de frios, os dias por aqui são espetaculares nessa época do ano.

Talvez você ache esse texto aqui uma viadagem que não tem mais tamanho. Eu não me importo. Eu realmente não me importo. Só te desejo que o seu dia seja muito feliz :)

Thursday, January 29, 2015

A faca pendurada

Toda noite a mesma sensação se repete. Conforme a noite cai, eu me sinto acuado por dois grandes relógios digitais regressivos: o primeiro, mais próximo de zero, indica que meu tempo com meus pais está acabando; o segundo, mais cruel, indica em quanto tempo eu voltarei a vê-los.

Ultimamente tenho lido notícias que me fizeram voltar a entrar em contato com a essência da minha decisão de sair do país: a violência impune. Haja vista o assassinato do surfista em SC e a soltura de pai e filho assassinos confessos do filho da Cissa Guimarães. Então estou em paz com minha decisão de sair do país.

Mas nunca achei que a perspectiva de ficar sem ver meus pais fosse tão agonizante. Sinceramente, não tenho do que reclamar: minha mãe não fez uma cara triste até agora e todos os amigos tem deixado a gente pra cima.

Mas a perspectiva de me despedir do meu pai na sexta-feira de manhã sem saber direito quando irei revê-lo é desesperadora. Ter a consciência de que esse relógio é regressivo me deixa desesperado, vê-lo se esforçando (junto comigo, ainda que eu relute em admitir) pra tentar aumentar o número de horas que cabem em um dia me corta o coração, como eu queria poder nunca mais ir embora!

Mas eu não posso. A vida é assim. Mais cedo ou mais tarde, chega a hora de seguir sozinho, para perto ou mais longe. Preciso seguir minha vida, preciso perseguir meus sonhos, nem que seja pra descobrir que esses sonhos doem muito. Mas eu preciso disso. Preciso realizar meus sonhos. Só assim me sentirei completo quando chegar ao fim da vida.

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar...

Saturday, January 03, 2015

Dias difíceis

Hoje começamos a oficialmente desmontar o apartamento.

Quer dizer, o processo de desmonte começou há algumas semanas, quando vendemos os enfeites do buffet, mas hoje começamos a colocar roupas nas malas e, talvez por ter sido algo que tomou mais tempo, e talvez também por causa do italiano babaca que comprou a mesa da varanda, hoje foi mais pesado, o que me deu uma sensação maior de "início do fim", "proximidade da mudança", "escolha-seu-nome-preferido".

A parte mais difícil foi pensar nas crianças e nos meus pais. Lembrar do modo como o Pedro ficou quando soube da mudança não ajuda. E apesar de apoiar nas palavras, durante o Natal fiquei com impressão que o Rafa fazia o possível pra passar mais tempo junto (impressão essa reforçada pelas perguntas à minha mãe em Rio das Ostras). E aí penso também nas pessoas que vou levar meses pra rever, e aí mesmo é que as coisas ficam difíceis. Tipo, quando penso que vou embarcar num avião pra só rever minha mãe e meu pai dali a 9 meses, meu corpo inteiro rejeita tal ideia, tão artificial que esta soa.

Agora consigo entender um pouco melhor o que o Celso deve ter passado quando decidiu ir pra Brasília. Logo ele, que nunca gostou de ficar sozinho, se mudando sozinho pra uma cidade que não conhecia e a qual sempre foi objeto de piada. Difícil imaginar um cara que valoriza estar perto da família tanto quanto eu indo morar em Brasília. Naquela época, sem dinheiro pra poder ver a família em intervalos curtos, por mais que as passagens tivessem um preço razoável em termos de mercado, morar em Brasília ou na Alemanha eram opções provavelmente equivalentes. O que me faz pensar também que, se ele prosperou em ambiente tão inóspito, eu também consigo :)

Nessas horas é difícil pensar objetivamente. Mas, pensando objetivamente, o que aconteceria se voltássemos atrás e resolvêssemos ficar?

  • Eu continuaria a passar meses sem ver o Pedro;
  • Eu continuaria a passar meses sem ver o Rafa;
  • Eu continuaria a ver meus pais uma vez por mês;
  • Eu continuaria a ver meu irmão uma vez a cada dois meses;
  • Eu continuaria dividido entre morar de aluguel em algum apartamento razoavelmente próximo do trabalho e comprar uma casa no cu do Recreio, gastando um número crescente de horas do dia preso no trânsito;
  • Eu continuaria desestimulado em trabalhar na Petrobras.
E aí eu me arrependeria amargamente, pelo resto da vida, por ter desistido de mais um sonho em troca de nada. Porque tenho certeza que tudo isso aí de cima aconteceria. Talvez uma ou outra coisa fosse diferente nos primeiros meses, mas depois todos voltariam às suas rotinas, e tudo se resumiria a isso aí de cima. Tudo se resumiria a basicamente continuar a me sentir um peixe fora d'água mesmo no meio dos mais próximos: enquanto uma multidão discute variações da ação de passar o dia bebendo, minha voz solitária já se calou e desistiu de procurar companhia pra viajar, frequentar restaurantes, praticar esportes, conhecer lugares, etc.

Além de ser um sonho, eu preciso disso. Preciso porque eu não poderia viver comigo mesmo reclamando da Petrobras sem fazer nada com relação a isso. Preciso porque eu sempre tive o sonho de morar no exterior e não vou conseguir olhar nos olhos dos meus filhos e dizer a eles que sigam seus sonhos quando eu mesmo não o fiz. Preciso porque eu preciso aprender mais. Preciso porque eu preciso de mudança com frequência pra me sentir vivo.

Eu sei que não vai ser fácil. A cada dia eu tenho mais noção disso. Talvez pra mim até seja mais fácil do que pra Gisele, afinal, vou ter um trabalho em que me concentrar e pra me distrair assim que chegamos. Mesmo assim, o início será terrivelmente difícil. Além da saudade de casa, haverá meses intermináveis de gelo numa cidade que desconhecemos por completo, sem companhia que não a de um para com o outro. 

Ainda assim, ironicamente, essa perspectiva me apavora menos do que as lágrimas nos rostos dos meus familiares. Acho que nesse caso o desconhecido trabalha a meu favor. Afinal, aquilo que desconheço tem iguais chances de me alegrar ou entristecer, certo? No entanto, se abrir mão disso, serei eu que em eu leito de morte chorarei. E não posso fazer ou deixar de fazer algo tão importante pra mim por causa dos outros. Afinal, na hora de prestar contas com a minha consciência, o único insatisfeito com minhas ações serei eu mesmo, e aí será tarde demais pra refazer qualquer coisa.

Engraçado. Finalmente entendi a famosa frase de Fernando Pessoa: "viajar é preciso, viver não é preciso". De fato, está longe de ser preciso, e como eu gosto dessa imprecisão :)

Sunday, April 06, 2014

Vida em sociedade... que dureza...

Pois bem, eis que um dia desses voltamos pra casa de carro e, ao deparar com nossa vaga de garagem, está quase tomada pelo vizinho.

A vaga dele fica encaixotada, com o nosso carro a direita, paredes a frente e a esquerda, e um vizinho atrás, sobrando nada além da diagonal pra ele sair. A vaga dele é escrota, com isso concordo plenamente. Tanto concordo que sempre procuro parar um pouco mais pra frente, de forma que ele possa sair com um pouco menos de dificuldade (mas isso ninguém vê, né?).

Mas daí a parar com a roda de trás quase na minha vaga também já é sacanagem, né? Me compadeço da dificuldade dele, mas também não é justo eu pagar por sua vaga ser torta. Pois bem, tirei foto, mandei pra administradora, a qual disse que ia resolver.

Pois bem, passa a semana, vou pra rua ontem (perceba-se que normalmente eu não tiro o carro da garagem mais do que duas vezes num final de semana), chego às 01:00h e tá lá o carro do vizinho de novo quase tomando as duas vagas pra si. Penso eu: "ou o papo da administradora não adiantou de nada, ou esse cara tá de sacanagem". Pô, na boa, isso é falta de consideração. Tudo bem que eu continuo conseguindo entrar e sair, mas da mesma forma que eu paro mais pra frente pra tentar dar-lhe um pouco mais de conforto, custa parar um pouco mais pra lá e me deixar um pouco mais de conforto? Dessa vez foi demais. Subi e escrevi um bilhete da forma que entendi ser a mais educada possível: "Prezado vizinho, você poderia, por favor, procurar estacionar dentro do espaço demarcado? Da maneira como está estacionado, dificulta a entrada em minha vaga. Grato, Felipe (apto 402)". O tiro pode ter saído pela culatra, posso ter sido extremamente grosseiro, mas juro que me esforcei. Pedi a Gisele pra revisar e tudo. Fui lá e deixei o bilhete preso ao parabrisa do vizinho.

Pois bem. Hoje as 21h toca o interfone. Era a vizinha. Parecia estar com a voz meio vacilante, mas, como não a conheço, não faço a mínima ideia se era sua voz normal ou se estava embargada. Disse que da próxima vez que o carro estivesse incomodando, que eu avisasse, e ela desceria, moveria seu carro ou manobraria o meu. Acho que ela estava sendo sarcástica, mas, enfim, preferi não levar pra esse lado. Disse que mora aqui há 18 anos e nunca teve problema com nenhum morador, que eu descesse e verificasse se o carro estava bem posicionado, avisasse se estava ok e reforçou que, em caso de problema, ela poderia manobrar meu carro. Agradeci, desejei boa noite e tomei um telefone desligado na fuça. Coisas da vida, né?

Pois bem, fui lá, olhei, estava perfeito. Voltei pra casa, pensei: "bom, já que ela pediu pra avisar se estava tudo bem, vou ligar de volta e avisar que está tudo bem". Atende o marido, a vizinha tinha descido. Expliquei a situação, disse que estava ligando pra agradecer e dizer que estava tudo ok, o marido explicou que eles paravam torto porque a vaga é escrota (não com essas palavras, tô encurtando o papo), o carro de trás as vezes para pra frente e dificulta, normalmente eles paravam melhor (de fato, costumam parar), mas não tinham reparado se estava torto, pode ter acontecido e tals. Eu disse que entendia, inclusive, não sabia se tinham reparado, mas eu procurava parar mais pra frente pra facilitar a vida, não quero que eles tenham um trabalho da porra manobrando para parar o carro reto, mas, de fato, nessas duas vezes tinha me atrapalhado. Tentei resolver a situação me comunicando com eles. Não sabia se havia feito da melhor forma, até pedi desculpas caso não tivesse logrado êxito, mas resolvi falar diretamente com eles, ao que o marido cortou dizendo que eu deixei bilhete, não me comuniquei diretamente. Enfim, aquela lenga lenga do inferno, muito obrigado, boa noite. (Alguém ouviu "desculpa" do outro lado da linha? Nem eu.)

E aí eu fiquei encucado, pensando nessa porra. Eu tentei ser o mais educado possível, por que essas pessoas se sentiram ofendidas?

Confesso que até agora não sei ao certo o que pode ter causado ofensa. Eu poderia ter deixado um texto mais simpático? Eu poderia ter ido falar pessoalmente com eles? Sim, poderia. Mas de fato produziria uma reação diferente? Sinceramente, não sei. Pra mim, conotação e contexto são inseparáveis. Por exemplo, no meu contexto diário de Petrobras, se referir ao destinatário de uma nota como "prezado" é absolutamente normal (e enfadonho, até, eu diria). Pra alguém em outro contexto pode significar um desafio a moral. Da mesma forma como eu detesto ser chamado de "querido", alguém pode se ofender ao se ver chamado de "prezado". Eu poderia ter escrito algo do tipo "Oi, vizinho, tudo bom? Como vai? Você se importaria de parar seu carro um pouco mais pra lá? Tá meio ruim pra eu entrar na minha vaga. Muito obrigado!". Mas será que essa forma de escrever iria, de fato, melhorar os resultados? Eu não conheço o sujeito, não sei o contexto dele. Não sei se é solteiro ou casado, mais velho ou mais novo, se acorda cedo ou acorda tarde, se é bandido ou polícia, não sei nada, absolutamente nada sobre ele. Nesse contexto, o risco de ele achar o segundo texto melhor ou pior do que o primeiro são absolutamente iguais. Na hora, achei (e continuo achando) que um tom mais impessoal seria a forma menos pior de se endereçar a alguém. Não foi? Paciência, ainda não sou adivinho.

Da mesma forma, poderia eu tê-lo abordado pessoalmente? Sim, poderia. Mas, de novo. Eu não sei nada sobre a pessoa. Imagina se o cara é solteiro, tá comendo todas, o apartamento do cara é um verdadeiro matadouro, infestado de gonorréia e todas as doenças venéreas possíveis. Se eu bato lá quando cheguei da rua, o mano não vai ter chegado da night ainda. Se bato lá meio dia, corre o risco de eu acordar o cara. E aí, que horas eu bato lá? Com quem eu falo? Como abordar a situação? Qual o tom mais adequado? Quem garante que o sujeito não ia se ofender do mesmo jeito? Estamos no Rio, ninguém aqui gosta de ser chamado a atenção, todo mundo gosta de fazer o que dá na cabeça na hora em que quer (eu inclusive), qual a melhor forma de se abordar a situação?

Porra, na boa, não tem resposta certa. Tinha que escolher uma e escolhi a mais impessoal. Se a pessoa não gosta de impessoalidade, não tenho como adivinhar.

Não sei, acho também que a pessoa confunde antiguidade com infalibilidade. O fato de morar aqui há 18 anos lhe concede sabedoria e distinção absoluta entre certo e errado. "Ora, se até hoje ninguém reclamou, eu só posso estar certo". Mas em nenhum momento a pessoa considera que ela pode estar há 18 anos incomodando alguém que simplesmente não reclama? Ou que ela possa ter errado dessa vez?

Aliás, se o tal carro de trás fode com a vida do vizinho quando para mais a frente, por que não chegar pra esse sujeito e pedir a ele que pare também dentro da sua vaga? Quer dizer, o sujeito prefere se orgulhar de ter 18 anos sem problema as custas das suas manobras diárias do que se manifestar contra o mal feito do vizinho. Por quê, meu Deus, por quê?! Juro que não entendo porque o ser humano prefere se foder sozinho manobrando o carro todo dia a confrontar o próximo. Aliás, o que significa "ter problema"? Será que aos olhos dele eu sou agora uma pessoa "problemática"? Manifestar insatisfação é chamar pra briga? Bilhete é ofensa? Sério, eu fiz algo demais ou fora dos padrões sociais aceitos?

Ainda tive que aturar o sujeito falando que meu carro é pequeno e "dá pra entrar". Ora, diabos, se eu parar atravessado na porta da casa dele, ele também pode se espremer pelo meu lado e entrar, mas isso é certo?

Agora que botei pra fora, posso dormir mais tranquilo! :) Mais uma sessão bem sucedida de auto-terapia! :D (o blog é meu e eu escrevo o que eu quiser! :P )

Wednesday, March 19, 2014

Livre-arbítrio

A melhor parte de um ser humano é o tal do livre-arbítrio, segundo dizem os livros.

E eu digo que, a melhor parte de ser um ser humano é usar esse livre-arbítrio pra tornar melhor ou especial o dia de alguém.

Hoje é um dia em que me sinto muito feliz de ser um ser humano :)

Wednesday, March 05, 2014

Sabe traido?

Ai tu vai e briga com a pessoa. Briga, nao. Simplesmente tem uma decepcao profunda e para de falar com ela. Os abracos ficam mais frouxos, os beijos menos calorosos, etc, vc simplesmente para de se importar. Nao so vc, ambos param de se importar. Depois de um tempo, aquela decepcao eh verbalizada, racionalizada, mas a ferida simplesmente nao fecha. E ai, simplesmente ambos deixam isso pra la. Um pedaço da vida. Um baita pedaço. Um dos melhores, mais emocionantes, mais bonitos, mais intensos, mais desgastantes. So fica pra la.

Mas vc nao consegue simplesmente deixar isso pra la. Sente falta daqueles sentimentos, daqueles instagrams cravados na memoria com os melhores filtros, esquece os perrengues e o que tinha de ruim.

Durante anos tu, de vez em quando, se preocupa, liga no aniversario de um, manda e-mail perguntando do outro. Deixa aquele filete de saudade ficar minando, corroendo a parede construida a duras penas e lavando a ferida aos poucos. Ignora os avisos de "nao ultrapasse" e vai deixando.

Ano apos ano, as memorias ruins vao ficando pra tras, vc se força a acreditar na raça humana, ate que resolve romper todos os limites e propor uma reaproximacao.

Fogos, festa, hosana nas alturas. Tudo sera diferente.

Ate vc descobrir que, mais uma vez, de novo, a historia se repete e vc é só um apendice, um vertice perdido, sem proposito no meio dos outros dois, surgido ali pra fazer figuração.

Otário. Realmente, não há no mundo ninguém como KG. Nunca houve nem nunca haverá. Para o bem ou para o mal. Assim como nunca houve nem nunca haverá alguém tão otário quanto você.