Sunday, November 03, 2013

O que aprendi até hoje

Já pararam pra pensar na influência das nossas família sobre as nossas vidas? Já? Pois é, hoje eu tava pensando nisso.

Dia desses sei lá porque lembrei de uma ocasião onde minha mãe tinha voltado a trabalhar como jornalista em Friburgo, quando eu já estava próximo de terminar o 2o grau e ela tinha mais tempo pra cuidar da vida dela. Não lembro direito a situação, mas ia rolar um jogo de basquete internacional, algum time iugoslavo, se não me engano, contra o time do clube do qual éramos sócios. E minha mãe me pediu pra cobrir o jogo. Não lembro direito o contexto das coisas, mas, enfim, eu sempre gostei de basquete (mesmo sem mínimos conhecimentos sobre táticas, jogadas ensaiadas, etc, pra mim tudo sempre aconteceu na quadra por inspiração divina dos jogadores, como acontecia nas minhas peladas com a bola laranja), nunca tive problema com escrever e lá fui eu. Durante essa tarefa, me deparei com minhas próprias limitações. Dei a sorte de sentar ao lado de algumas pessoas que entendiam mais do que eu e fui anotando mentalmente o que eles falavam sobre a habilidade dos jogadores, sobre as jogadas, e anotando no papel em que momento jogo (tipo, aos 11 minutos do primeiro quarto) as coisas aconteciam, o número na camisa dos caras, etc, pra depois poder contar direito como tinha sido o jogo. No final do jogo, superei minha timidez pra interagir com a mesa e pedir a escalação dos times, sabe-se lá como. Pois bem, entreguei o texto, minha mãe disse que o pessoal no jornal gostou muito e tals, mas nem lembro se cheguei a ver o texto publicado ou não. Missão dada é missão cumprida, tanto faz se saiu no jornal ou não.

Mais ou menos na mesma época (talvez um pouco antes ou depois, minha memória sempre mistura datas e épocas), minha mãe resolveu cursar uma 2a faculdade, dessa vez de Letras. E me incumbiu da tarefa de escrever um trabalho para ela sobre informática, assunto pelo qual também me interessava na época. Confesso que não me preocupei nem um pouco se ela ia tirar nota alta as minhas custas ou não, afinal, adolescente que se preze tá cagando se o outro tá colando ou não. Enfim, lembro que estava razoavelmente inspirado quando escrevi isso, e consegui colocar umas piadas no meio das idéias básicas e, de fato, gostei do texto final, assim como o pessoal da faculdade, segundo minha mãe.

Então, como eu disse lá em cima, esses dias eu me peguei pensando em por quê minha mãe teria feito isso. Em princípio, a única lógica nisso seria usar minha mínima fluência nos assuntos pra entregar trabalhos melhores. Mas isso é muito do seu feitio, minha mãe sempre foi melhor do que isso. Mais do que isso, minha mãe sempre foi mais calculista do que isso. Então, porque diabos isso?

Pode ser que eu tenha deduzido tudo errado mas, considerando que eu estava próximo da idade de vestibular, pela lógico deduzo que é bastante provável que ela o tenha feito pra me ajudar a decidir o que cursar. E, com isso, chego a duas conclusões: eu demoro a somar 2 e 2; é preciso um baita cérebro e uma perseverança miserável pra se descobrir uma maneira de ajudar um adolescente, que, acima de tudo, é turrão e cabeça dura por parte de Ermelinda e por parte de Eunice também.

E, com isso, me dei conta da sorte que eu tenho em ter a família que eu tenho.

Aprendi muitas coisas, inúmeras, incontáveis. Algumas vezes até por meio de palavras. Aprendi por meio dos meus pais, dos meus avós, dos meus tios, primos, amigos, todos que eu tive a sorte de conhecer. Tenho certeza que se eu tivesse assimilado tudo que li, vi, ouvi e senti ao longo da vida, seria hoje uma pessoa muito melhor, mais paciente, que pensa antes de agir. Mas pelo menos aceitei que tudo e todos têm limitações.

De uma forma totalmente embolada e caótica, tal e qual minha mente, aprendi que um dia de gripe, com sol a meio mastro e filme do Batman pode ser um dos dias mais felizes da sua vida. Aprendi a em tudo amar e servir. Que cozinhar é uma arte, e, comer bem, um dos grandes prazeres da vida. Que nunca é tarde pra recomeçar. Aprendi o valor da leitura. Aprendi que dinheiro não é a resposta. Aprendi que o valor da leitura é enorme, inestimável. Aprendi que meus ídolos estão dentro de casa, não no cinema, nem num campo de futebol, estão em casa, na pior das hipóteses ao alcance do porta-retrato ou de uma ligação.

Aprendi que a respeitar o que põe comida na mesa. Aprendi que quando escolhemos pra fazer algo que amamos, não gastamos um dia de nossa vida trabalhando. Aprendi o valor do dinheiro. Aprendi a não deixar jamais de usufruir do produto do meu trabalho. Aprendi que dinheiro não compra tempo ao lado de quem se ama. Aprendi que o reconhecimento pelo seu trabalho as vezes vem em pequenas coisas, e que temos que estar de ouvidos e olhos atentos para não deixar de identificá-lo.

Aprendi que nunca é tarde pra recomeçar. E que não há obstáculo grande o suficiente pra lhe impedir de fazer alguma coisa. Aprendi a nunca desistir. Aprendi a encarar de frente a responsabilidade pelos meus atos, sejam bons ou ruins. Aprendi o valor da lealdade. Aprendi a respeitar os bichos e a natureza. Aprendi a não me levar tão a sério e que rir de mim mesmo de vez em quando é extremamente benéfico.

Aprendi que família independe de sobrenome. Aprendi a respeitar as diferenças. Aprendi que devemos sempre escutar o coração ao tomar decisões, mas a jamais deixar de usar a razão pra ter um plano B, C ou Z a mão. Aprendi que o mundo não é o lugar ideal, e a cuidar do que é meu, senão alguém vai tomá-lo (né, pai?).

Aprendi que não importa o tamanho da merda q você faça, ou o quão sozinho você esteja, sua família sempre vai estar lá pra você. Aprendi que crianças são as coisas mais importantes do mundo e que nossas responsabilidade para com elas é enorme.

Muitas outras coisas também aprendi com o mundo. Certamente ainda tenho muito o que aprender, não tenho nem nunca terei as mesmas experiências de todo ser humano do planeta. Tive a sorte de ter a família que tive, morar nos lugares onde morei, estudar onde estudei, trabalhar onde trabalhei, e tudo isso influencia a minha visão de mundo de formas quânticas. Entre um monte de outras coisas, aprendi que grande parte do conhecimento do mundo está online e só depende de mim absorvê-lo. Aprendi que pedir desculpa não é assim tão difícil, e que é melhor pedir desculpa do que pedir permissão. E principalmente que não se deve nunca parar pra pensar antes de dizer que se ama alguém; é algo que simplesmente se faz.

Por que falar sobre isso tudo hoje? Tem alguma coisa a ver com o Dia de Finados? Que interesses eu tenho por trás dessa manifestação?

Bom, por que não hoje? Tem a ver com o feriado? Não, não to preocupado com a morte de ninguém. Que interesses eu tenho? Nenhum, exceto, talvez, melhorar o dia de alguém. É algo tão aleatório quanto sempre. Talvez porque humilde e particularmente, acho que meus pais foram extremamente bem sucedidos na tarefa de criar seus filhos, e porque aprendi que reconhecimento por um trabalho bem feito d vez em quando é sempre bom :)

2 Comments:

At 10:02 PM, Blogger Alessandra Lessa said...

Já tinha lido no Facebook!
Rá!

 
At 10:03 PM, Anonymous Alê said...

ADORO que comentei com minha conta e revelei minha identidade secreta... hohohoho

 

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