Wednesday, January 17, 2007

Até um dia, na terra das nuvens

Acho que minha mãe não teve forças pra me ligar. Ela conseguiu arrumar energia pra ligar pro meu irmão. Pra mim, não. Perfeitamente compreensível.

Meu irmão me "avisou" via jabber. Nem precisou completar, bastou escrever: "vovó...".

Eu já sabia que ia acontecer por agora. Menos mal que foi depois das festas de fim de ano.

Eu tô na boa. Há anos eu não tinha contato com ela. E por mais que eu gostasse de ir pra casa dela quando era criança, e gostasse de tê-la por perto, às vezes tenho a impressão que minhas primas eram os netos preferidos. Isso não me importa muito, mas obviamente que me afeta um pouco.

Minha preocupação é minha mãe. Apesar de ter consciência de que era preterida pelo meu tio, porra, é a mãe dela, né?

Eu tô triste, óbvio. Tô preocupado com a minha mãe. Sei que ela vai precisar da gente. E, no momento, eu só queria que o mundo parasse de rir, e respeitasse a dor alheia. Óbvio que não dá, eu sei que é ridículo, mas me irrita profundamente ouvir esses putos aqui em frente falando sobre trabalhos estúpidos num momento como esse.

Eu tô bem. Estaria melhor se não tivesse que encarar enterro. Eu não gosto de enterro. Não quero ter na memória a imagem da minha avó no caixão. Eu não quero ver o caixão. Isso é o que me deixa mal. Só isso...

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