Saturday, January 27, 2007

2007 - Ano pra se esquecer

(Definitivamente, eu odeio ficar sozinho em casa a noite...)

2007 já começou, e começou uma merda.

O pior revéillon da minha vida. Já houveram revéillons sem graça. Esse não. Foi uma MERDA, assim mesmo, maiúscula. Ver meu pai bêbado na virada foi o pior e mais patético espetáculo que já vi na vida. O triste é ter a consciência de que foi só a gota d'água. Meu pai fez merda por tempo demais. Conseguiu destruir tudo de bom que eu sentia pra ele. Eu, hoje, não consigo olhar pra cara dele, e esse é um dos motivos da minha insônia: saber que amanhã (ou hoje, pela hora) vou ter que, mais uma vez, exercer meu papel de adulto, e ir até lá pra conversar com ele. Houve um tempo em que isso me doía, ver meu pai, meu herói, sendo derrotado pela bebida. Mas depois de tantos anos sofrendo, me decepcionando, nem isso me comove mais.... Meu herói morreu de overdose... só sobrou um arremedo de Henrique... meu pai? Se perdeu por aí. Pra mim, meu pai não existe mais. O que eu sinto pelo Henrique hoje são pena, ódio, desconforto mediante a sua presença... tudo de bom que meu pai ensinou, sem nunca precisar falar uma palavra, sempre por meio de atitudes, tudo isso se perdeu, ficou pra trás, junto com o meu pai. Hoje, sobrou o bêbado do Henrique. O bêbado que envergonha nossa família. Que envergonha minha mãe. Me dói muito ter a consciência de que sempre fizemos absolutamente TUDO que se espera de uma família, de que fui e sou o melhor filho que pude e posso ser, e ainda sim ser menos valioso aos olhos do meu pai do que um punhado de hidroxilas (mililitros de álcool, para os que faltaram às aulas de Química). Eu tento pensar, conjecturar, imaginar onde eu errei, e só consigo chegar a conclusão de que não errei! Será arrogância? Não sei. De qualquer maneira, pode ser limitação intelectual minha, mas eu não consigo entender porquê meu pai tem a consciência de que vai nos deixar tristes ao se embebedar, e mesmo assim optar pelo álcool. Por que diabos nós valemos tão pouco? Por quê?!

E ainda assim, amanhã, lá vou eu, mais uma vez, falar com meu pai... sinceramente, não tenho mais esperança de nada... Queria muito acreditar que vou ter meu pai de volta, aquele que todos os meus amigos queriam ter como pai, aquele que faz minha mãe feliz, mas já parei de acreditar nas suas bravatas ridículas, nas suas falsas atitudes de recomeço... cansei... e a hora que minha mãe resolver dar linha desse bêbado, pego minhas coisas e vou embora... ele que fique com as putas e com a cachaça... É triste... muito triste quando passo a me referir a pessoa que eu tanto amei por mais de duas décadas dessa maneira... e mais triste ainda é ter a consciência de que não é birra, mas sim, a realidade. Meu pai ficou pra trás, se perdeu... sobrou o bêbado...

Mas não é só isso que me impede de dormir... tô cansado de trabalhar... tô cansado de me achar desrespeitado no meu direito de gozar férias... tô cansado de ver que algumas pessoas não querem que a EDS mude e mantenha seus talentos... Eu sei que é importante pro projeto que eu fique mais um mês, mas eu não aguento mais! Não tenho tempo de estudar, de malhar, de fazer nada: o tempo todo estou trabalhando, comendo ou dormindo. E na maioria dos dias, trabalhando absurdamente mais do que qualquer um dos outros. Estou cansado de saber que meu trabalho e meu esforço não vão se converter em aumento salarial significativo, e isso me cansa mais ainda. Mas eu não desisto, sempre acreditei e vou continuar acreditando que quem é bom faz as coisas mudarem. E eu tenho meu preço. Estou fazendo a minha parte: não saio do escritório antes das 20h, todo santo dia. Mas quero alguma coisa em troca. Chega de ser bonzinho e aceitar o que vier. Já provei meu valor. Já provei minha capacidade. Por mais de uma vez. Os estagiários estão trabalhando muito mais do que nunca e estão rendendo. Todos foram absorvidos e estão gerando receita para a empresa. E todos foram comandados por mim. As aplicações que queriam estão saindo, e meu comprometimento beira os 110%. Mas eu quero o mesmo comprometimento em troca. Não vou correr até a linha de fundo igual um doido se ninguém aparece pra receber o cruzamento. Já fiz muito isso. Cansei. Tenho meu preço e minha capacidade está mais do que provada. Quem quiser, de agora em diante, que pague pra ver.

Mas ainda tem um terceiro tópico. Tão incômodo quanto o primeiro. E que me impede de dormir da mesma maneira que o segundo. E se refere a vocês, meus dois leitores. Você, menina branquinha, na condição de platéia. E você, seu puto, na condição de ator principal.

Você pode não gostar de gente enchendo o teu saco, te dizendo o que fazer da vida. Mas aqui é o meu espaço, eu escrevo o que eu quero, você lê e absorve se quiser.

Você sabe que fiquei extremamente chateado de te ver fumando. Se a bebida te impede de lembrar, então que esse registro te sirva de memória. Se for pra te ver se auto-destruindo ainda mais, eu prefiro não te ver.

Você já me deixa suficientemente deprimido quando me conta de seus porres quase diários. Isso, pra mim, não é motivo de orgulho nenhum, é motivo de pena. Por tudo que já sofri por causa de álcool (vide primeiro parágrafo), e por ver no ser humano ridículo em que você está se transformando. Se Brasília é a desculpa, então deixe de ser covarde e de se esconder atrás desse escudo ridículo e seja homem o suficiente de assumir que o problema é você.

Você me enche de orgulho quando te vejo falar de andar de bicicleta e correr, e querer arrumar uma namorada. Não porque eu ache que isso é a vida ideal pra todo mundo. Cada um tem seu destino final. Me enche de orgulho porque eu sei que é isso que você quer pra sua vida, e te ver correndo atrás, ainda que a passos lentos, me enche de alegria.

Por outro lado, te ouvir contando histórias de bebedeiras diárias só me faz ter pena e raiva de você. Pela sua covardia, por usar Brasília como desculpa para encher os córneos todos os dias. Ao invés de usar como incentivo para construir sua vida sozinho, você prefere usar como desculpa esdrúxula para se gabar de bebedeiras ridículas. Queria muito que você passasse mais tempo se dedicando a melhorar de vida, como você se dedicou montando o apartamento novo, do que em companhias que só gostam de você quando bêbado ou com um cigarro na boca.

Sobre cigarro: usar uma coisa que você sabe que faz mal, pra mim, é atestado de burrice. E eu não SUPORTO gente burra. Principalmente quando se é burro por opção, pra ficar na mesma onda da galera, pra parecer cool, como é o seu caso. Eu estava animadíssimo pra ir pra Brasília nas férias.


Estava.

Te ver fazendo papel de burro pra parecer cool me fez perder todo o tesão de olhar pra tua cara.

Como eu disse, você tem a opção de ignorar tudo que está escrito aqui. Você sabe muito bem que são palavras de quem te quer bem. Sabe muito bem também que eu não quero, nunca quis, nem nunca quererei ditar o meu estilo de vida como o melhor do mundo. O que eu quero é que você pare de fazer papel de burro, palhaço e covarde, e vá correr atrás da vida que você quer pra você.

E se você chegou ao final desse texto achando que eu vou te virar as costas, se enganou. Mas, definitivamente, eu não tenho a menor paciência pra te ver fazendo papel de burro, palhaço ou covarde. A escolha é sua. Tenha certeza que, assim como aconteceu com meu pai, o bafo de álcool e o bafo de cigarro te dão mais amigos. Tudo depende da qualidade dos amigos que você quer ter ao seu redor.

Como será que vai terminar 2007?

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