The Fellowship Of The Pan - Gênesis - Mr Kone
No distante vale de Higienópolis Town, lá no alto daquele morro onde passava boi e passava boiada, um pouco antes do tráfico tomar conta da porra toda, e fazer churrasco toda semana com os pobres dos bois, vivia, sob as bênçãos de um pé de laranja lima, uma humilde família, os Kone.
Levavam lá sua vidinha pacata, com aquela doce rotina de filmes alemães na TV a tarde, espancamentos aleatórios ao entardecer, e visitas às comerciantes do vilarejo vizinho de Copa Bacana ao anoitecer.
Neste simpático, acolhedor e afetuoso ambiente nasceu Kone. Nasceu mirradinho, coitado, pesava pouco mais de 100 gramas de pele pra 4 kg de osso, três perninhas que mais pareciam palitos de dente (eu não errei o número de pernas, pra alguma coisa o menino tinha que prestar, oras!), e um apetite avassalador pra mamadeira com suquinho de cevada.
Desde pequeno via-se que o menino levava jeito para a regrada e exigente vida de anti-herói. Que o digam sua querida professora do colégio, a simpática freira que lhe dava conselhos e o motorista do 621, sempre agraciados com palavras gentis e simpáticas, capazes de fazer Lúcifer enfiar o rabo entre os chifres.
Foi na adolescência, porém, que ele descobriu sua verdadeira vocação. Após um leve acidente, que acarretou um desviozinho mínimo em seu musculoso braço direito, Kone notou que havia alcançado a graça divina e recebido um dom, muito apreciado e invejado em todo o reino da Mãe Natureza: o dom de mirar a lâmpada e acertar o pé.
Obviamente que isto gerou alguns transtornos no início, mas algo absolutamente normal para alguém que começa a lidar com um inesperado dom divino.
(Dizem as boas e más línguas que depois de alguns desses episódios, coincidentemente, ele teria mudado seu slogan pessoal de “1,92m de pura desproporcionalidade” para “1,92m de pura proporcionalidade”, mas até hoje nunca se provou nada, nem há registro do suposto antigo slogan)
Foi, nesse momento, então, que ele descobriu sua missão terrena: porém, isto aconteceu em meio a um suspeito movimento de copos e corpos, e sua reação imediata foi gritar “Ô porra, Oliveira, manda essa ruiva voltar aqui, caralho!”
Deste dia em diante, ele estava decidido a livrar a humanidade de todo o álcool que a assolava, e a consolar todas as ruivas solitárias da raça humana, nem que para isso fosse necessário pagar!
Deste dia em diante, ele ficou conhecido como Mr Kone.




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