Esse estranho conceito vulgarmente apelidado de "amor"
(da série "Isso vai dar merda em casa...")
É estranho... é uma GRANDE mudança de paradigmas...
Vejam bem, eu sou pisciano. Em termos rasteiros, se não passei por uma grande provação, então não valeu a pena. Essa é a visão pisciana de esforço, recompensa e valor, com uma mãozinha grande demais de mamãe. Mas em resumo, é isso.
(merda de garganta que não pára de doer... menos mal que terça tem consulta com a otorrino, espero que ela resolva essa merda... em tempo: desde o álbum acústico da Lauryn Hill não vejo algo tão visceralmente bonito quanto "Finding Neverland")
Então, assim, nos meus relacionamentos anteriores muitas vezes eu me infligia dor, em algo quase do mesmo quilate dum ritual de auto flagelação, de modo a me sentir penitenciado, logo, feliz. Tem noção do quanto isso NÃO faz sentido? Pois é, pra um pisciano faz... Mas enfim, eu me punia, me fazia sofrer, me fazia sentir dependente e submisso a alguém, e isso não só me satisfazia, como também me deixava feliz!
Pois bem, aí eu comecei nesse agora, com minha dignissima branquinha, meu amor. E foi algo avassalador. Mesmo, de verdade. Acho que dos 3, foi o que com mais força chegou. Varreu a porra toda e me revolucionou o cotidiano. Porém, um pisciano não sossega se não sofre. Então, a saída era ficar tentando adivinhar se iria embora com a mesma força que chegou.
Aí veio janeiro. E veio a volta pra Lapa. E a porra entrou toda em parafuso...
Eu me perguntava se era mesmo isso que eu queria, confundindo cegamente sofrimento com felicidade. Afinal, pensava eu, se eu não sofria como nos outros, talvez não fosse isso o ideal pra mim...
Aí eu tomei um esporro da Tiana, e resolvi parar de beicinho com o trabalho. E as coisas começaram a melhorar...
Aí veio a certificação, e no mesmo dia... PASSAPORTE DE VOLTA!!
E aí as nuvens saíram...
E o que era uma necessidade de companhia se revelou necessidade da SUA companhia. Eu não chorava mais de solidão, mas de falta de você.
Aí veio o dia de hoje. E meus paradigmas mudaram...
Tu me solta, assim, do nada, que queria um filho que nem eu... tipo, eu tenho defeitos, vários, por sinal, e ainda assim tu quer gerar um bacuri com meus cabelos, meus defeitos e minhas qualidades. Não sei direito que eu senti na hora... um pouco de medo por você carregar por aí alguém tão parecido comigo (e se eu não levantar depois de amanhã?), um pouco de vaidade, e um pouco de felicidade (minha vaidade torna alegre a idéia de um moleque loirinho, brincalhão e risonho vadiando por aí de cabelo suado e pé no chão), e, pela primeira vez, aconteceu algo que não aconteceu em nenhum dos 3 relacionamentos anteriores: eu gostei da idéia.
Aí eu assisti "Finding Neverland", e de uma hora pra outra meu limite de bacuris subiu de 2 pra três (sabe-se lá como eu vou acomodar 3 agarrados comigo no colchonete na sala, mas dá-se um jeito), e me deu uma vontade louca de ter 3 camas fortes e macias, pros moleques pularem a vontade em cima, e de abolir completamente a idéia de manter cão fora de casa.
Aí, eu entendi que não preciso sofrer pra ser feliz. E que a ausência do sofrimento não traz dúvida, mas tranquilidade e saudade. Tranquilidade pra viver e te ver viver. Tranquilidade pra viver minha vida sem ter medo de te perder. Tranquilidade pra olhar fotos de você com a minha família e ficar feliz de novo, vendo todo mundo em paz em casa. Tranquilidade pra tanta coisa que fica foda de listar.
E saudade... saudade, saudade, saudade, uma saudade louca o tempo todo... uma vontade de te ter por perto o tempo todo... mas não é aquela coisa visceral (e que hoje acho chata) de um adolescente, aquela mania adolescente de achar que vai morrer se não vir amanhã... é uma vontade de te ter por perto pra viver, porque viver sem você do lado pra ver comigo não tem a mesma graça.
É isso... tudo que eu não quis falar nesses 6 meses de depressão simplesmente porque, até o dia de hoje, 05 de junho de 2005, eu não sabia o que era. Eu precisava ter certeza do que era, senão podia abrir os olhos, descobrir que tava errado, e não te ter mais do lado... E isso ia me doer pra caralho, ter a consciência de ter perdido a mulher que eu sabia que queria dividir a vida, aquela que me fez replanejar o número de bacuris, aquela que eu sabia ser a única que me amaria desse jeito pouco ortodoxo de ser, a única que me deixaria criar meus filhos do jeito que eu também quero, a única que eu gostaria de ter do meu lado empurrando carrinho de bebê.
É por ser essa mulher que eu te amo.




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