Thursday, September 14, 2006

Sobre dinheiro, herança, irmão...

Há um ou dois meses atrás, ao pegar a conta do telefone, fiquei transtornado de ver que o preço tava exorbitante, e pior! não tinha de onde descontar nada, tinha uns 4 pulsos excedentes, e o resto, exceto por umas ligações de celular mais do que justificadas pelo projeto final do meu irmão.

E quando digo que fiquei transtornado, eu quero dizer transtornado MESMO! Fiquei uns 20 minutos deitado escrutinando a conta atrás de algum erro, alguma gordura que desse pra eliminar no mês seguinte, qualquer coisa. E, nesse desespero, chamei meu irmão pra conversar. Acho que, ao me ver com a conta na mão, ele deve ter achado até que era esporro, mas não. Surpreendentemente (até pra mim) eu chamei ele pra conversar simplesmente pra ter com quem desabafar, com quem compartilhar, porque eu não estava aguentando aquela porrada sozinho. E eu não tava nem pensando direito, e falei que sabia que não tinha nada que ele pudesse fazer, porque o mais caro da conta era o Velox, e eu sabia que assim que ele fosse contratado ele ia ajudar, e tal. Mas acho que depois de uns 10 minutos, nem eu mais lembrava ou me levava a sério.

E esqueci disso, veio a conta desse mês, paguei numa boa porque sabia que não tinha jeito, e tal. Aí, essa semana, meu irmão veio todo humilde, me dando um dinheiro pra ajudar a pagar o Velox. E ele tava me dando dinheiro pra pagar o Velox inteiro. Porque ele tinha recebido um aumentozinho no trabalho, e ia pagar o Velox ali em diante.

Puta que o pariu, aquilo foi um soco no estômago... sei lá porque... acho que, talvez por ser o irmão mais velho, e me achar eternamente em dívida com meu irmão por tanto que eu o sacaneei quando criança, me senti tão mal recebendo e TENDO que aceitar aquele dinheiro, simplesmente porque eu não tinha mais de onde tirar dinheiro.

Não me senti humilhado no sentido de ter que aceitar dinheiro de alguém que eu não ache merecedor, nada disso. Meu irmão sempre me deu só motivos pra orgulho. Muito pelo contrário.

Mas se senti um descumpridor do meu papel de irmão mais velho, de provedor da casa, ou qualquer coisa do tipo... sei lá porque...

Me fez lembrar e finalmente entender a reação tão emocional do pai da Cinthia quando disse que ia pagar o cursinho pra ela no Rio... acho que pro sexo masculino, especialmente para os indivíduos que se encontram em papéis de provedores, é meio decepcionante TER que aceitar dinheiro de outra pessoa...

E aí, essa semana minha mãe também falou que ela e meu pai querem abrir uma poupança pra quando eu e meu irmão precisarmos de dinheiro pra qualquer coisa, tipo, dar entrada num apartamento, trocar de carro, etc, porque eles nunca tiveram pra onde correr, e não queriam que eu e meu irmão passássemos por isso e tal...

Talvez eu não seja mesmo do tipo que se prende a questões financeiras, a questão é que eu nunca considerei a possibilidade de precisar pedir dinheiro de ninguém, e me soou até estranho ouvir essa proposta da minha mãe...

O que me lembra de outro papo com a minha mãe, quando ela falou que meu pai quer se aposentar em breve, e tal... e me levou a ter a infeliz noção do tempo... noção de que o tempo passou... de que meus pais envelheceram... de que vão se aposentar... e vão morrer.... e isso é o que me dá mais medo...

Se ao menos eu tivesse sido atendido numa das minhas inúmeras preces, e o tempo tivesse parado lá pros 13, 14, 15, 16 ou 17 anos...

Carpe diem, mái frendi, otherwise, time kills you!

Tempo... tempo... ô entidadezinha infeliz, essa... faz a gente aprender... mas traz tanta dor também... queria tanto voltar no tempo e consertar tudo que fiz de errado com meu irmão... queria tanto avançar no tempo e saber se vou fazer as escolhas certas...

Enfim, só nos resta viver!

E hoje tem Franz Ferdinand! TAKE ME OUT!!!!!

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