A imagem que fica
(extraído da coluna do Renato Maurício Prado - http://oglobo.globo.com/jornal/colunas/renato.asp)
Um rabino das Arábias
Agosto de 1985. Um casamento, em Teresópolis. Festança de dois dias na casa de um dos grandes amigos do casal. Mas os pombinhos não queriam uma cerimônia tradicional — nem pretendiam se casar no civil ou no religioso.
A ala mais velha da família do noivo, porém, não se conformava com o modernismo. Judeus, ainda que não ortodoxos, gostariam de ver a união celebrada por um rabino. Só que a noiva era católica...
Eis que se opta, enfim, por uma cerimônia ecumênica. E surge o padre, ou seria um rabino? Batina preta e manta roxa, como um sacerdote da Igreja Católica, trazia na cabeça um quipá!
Começou a cerimônia jogando um copo d’água nos noivos, para benzê-los, e prosseguiu a liturgia misturando orações em hebraico (que conhecia bem), com a Ave-Maria (em português mesmo). E por aí foi, improvisando cânticos, benzendo inúmeras vezes os noivos, os padrinhos e os convidados (espargindo água!), até o grand finale, quando pegou um copo de geléia vazio e obrigou o noivo a quebrá-lo com o pé!!!
Gargalhadas e mais gargalhadas de todos, com exceção da mãe do noivo, que, emocionadíssima com a celebração e com o carisma daquele rabino moderno, ainda foi lhe pedir uma benção extra!
O nome do tresloucado representante de Deus? Cláudio Besserman. Amigo de infância do noivo. A casa onde foi realizada a cerimônia (e a festa) era da família de Beto Silva e a maioria dos futuros Cassetas estava presente.
Foi nesse dia que conheci Bussunda. Um gênio do humor que, como João Saldanha, nos deixou em plena Copa. Vida que segue, como diria o João Sem Medo. Que remédio?




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