Thursday, April 14, 2005

Tá bom, não encho mais, foda-se (crônica de um desabafo)

Por mais que você não queira acreditar, ou se faça de surdo, é verdade: tu é o único amigo que eu tenho nessa porra dessa cidade. Ou por um acaso tu acha que alguém mais vai comigo a praia, ou ao Maracanã, ou a jogo de vôlei, ou Grande Muralha, ou 4D, ou aeroporto, ou zoológico, ou qualquer outro canto?

Aliás, diga-se de passagem que, ainda que tu fosse botafoguense eu ia pro Maraca contigo, e ficava na cachorrada amarradão.

Eu queria deixar de ser pisciano. Essa porra dessa necessidade martírica acaba comigo. Eu queria ser como os outros, e estar pouco me fodendo se nego me larga de lado. Que merda, eu SEMPRE odiei essa merda em mim, aliás, ao lado dos cacoetes, e da porra da timidez, isso me faz ter ódio profundo da minha pessoa. Queria ter a liberdade de me importar comigo e só comigo, e estar pouco me fodendo se estou sozinho ou acompanhado. Maldito sábado de carnaval. Não podia ter sido, sei lá, Dia de Finados? Se bem que nesse caso eu ia ficar ainda mais chateado, por ser uma data fúnebre, mas enfim, não dava pra ter sido mais pro final do ano, sei lá?

Enfim... ao contrário de muitas pessoas, eu não tenho "...um milhão de amigos...", e todo e cada um dos meus amigos não são parte de um grupo. Pra mim, cada um deles é um, cada um deles faz diferença, cada um deles é uma pessoa na minha vida, cada um deles define um pedaço de mim. E é exatamente isso que me irrita, não conseguir tratá-los como uma parte de uma massa, assim eu sofreria menos... "ignorance is bliss"... Mas não era disso que eu ia falar... infelizmente, talvez pelos 3 anos morando sozinho e encarando o escuro ao abrir a porta a noite, eu tenho essa mania besta de querer todo mundo do meu lado o tempo todo, seja qual for a ocasião. E infelizmente a porra do meu sangue português me impede de compreender outros pontos de vista.

Enfim, se pra ti eu pertenço a seções do teu cotidiano, foda-se, não é problema meu, o dia que eu tiver essa quantidade de gente me querendo por perto ao mesmo tempo, pode ser que eu faça a mesma coisa, não sei... gostaria muito de poder ser enxergado da maneira como enxergo, mas sei que isso não é possível, "vive le différence!".

Portanto, resolvi dar um basta nessa palhaçada, já me sinto uma puta apaixonada escrevendo essa cretinice. Não encho mais o saco de ninguém, eu sempre chamo em vão mesmo, foda-se. Não tem problema, só cansei de encher o saco de todo mundo com minha carência afetiva.

Quando alguém perguntar, eu direi: "P. Sherman, 42, Wallaby Way, Sydney". When you feel like, só chegar lá, valeu?

p.s.: Eu gostaria muito de poder dizer "vai logo, teu filho duma puta". Infelizmente, despedidas nunca foram o meu forte.

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