Tuesday, March 01, 2005

Ignorance is bliss?

Hoje eu tava indo ao shopping tirar dérreal pra pagar o metrô amanhã (aliás, daqui a um mês, R$ 2,25. É brincadeira...) e ao passar pelo Off Shopping tinha uma tiazona com saião e blusa pra dentro da saia cantando e distribuindo algum papel de igreja. Ela tinha cara de católica, até fiquei curioso sobre o tal papel (não tô pra coisas deprimentes, não quero mais ouvir Pearl Jam – essa Suzana Vieira parece uma retardada com esse sotaque nordestino), mas, enfim, minha mente me diz: “É igreja? Passe batido!”, e fui-me embora sem pensar.

Pois bem, saquei meu rico e pouco suado dinheirinho, e pus-me a caminho de casa. Eis que, na saída do shopping, volta a chover, só pra tornar meu dia um pouco menos repetitivo. E mais eis que ainda, passo novamente pela tiazona, cantando, feliz, distribuindo seus papeizinhos, toda molhada.

Nesse momento, eu paro pra pensar... Será que ela tem consciência de que é desprezada pela grande maioria das pessoas que passam por ela? Tipo, não tô chamando a mulher de escrota, nem nada, muito pelo contrário, até admiro alguém com tamanha obstinação, alguém que realmente acredita nos seus objetivos. O meu questionamento é: será que ela sabe que aquilo é inútil? Quer dizer, a inutilidade de sua ação é uma questão de paradigmas: se ela acha que convencendo uma pessoa ela terá ganho seu dia, ótimo, maravilha!

Mais eis que surge mais uma questão: será isso fruto de sua ação pessoal, de sua iniciativa, ou exemplo da capacidade de persuasão de seu pastor, padre, ou seja lá o que for?

Nessas horas eu acho que a ignorância é uma benção...

Nada disso adianta? Ah, foda-se, o pastor falou que o trabalho divino estará seguindo seu caminho se uma alma for conquistada!

Eu tô na merda, não tenho dinheiro pra nada e tô rindo? Ah, dane-se, vou é entregar o dízimo e rezar pra tudo mudar.

Será que se tivessem consciência de sua situação essas pessoas seriam felizes do mesmo jeito? Ou será que somos nós quem exigimos a reunião de demasiadas condições para nos considerarmos felizes? Será que se baixarmos nosso nível de exigência nos tornamos conformistas?

Sei lá...

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