Sunday, November 28, 2004

Eu Odeio O Mundo Hoje

Eu amo minha namorada
Da maneira mais
Insana
Desesperada
Absurda
Furiosa
Sufocante
Ansiosa
Somente comparável a
o afã do moribundo por vida
o desespero do peixe por ar
paixão do gênio-louco por sua musa
fúria do touro ensandecido pela dor lacinante das lanças que lhe estupram a pele
busca do doente terminal pelas partes amputadas
calma que invade a alma que encontra sua metade.
Mas eu odeio o mundo hoje
Por ter me acordado
Sem seus cabelos sobre meu rosto
Sem seu braço sob minha nuca
Sem seus seios sob minha cabeça
Descansando tranquila
No embalo
Das batidas
De seu coração apaixonado
Por meu corpo necessitado
De sua presença maciça
Em todos os momentos de minha vida.
Sem suas pernas por entre as minhas
Seus seus pés a se esquentar
Em minhas coxas sedentas
De seu toque carinhoso
De seu enroscar sedoso
Ao frio espantar.
Eu odeio o mundo hoje
Por não me deixar cantar
Ao encontro acompanhar
Da luz dos olhos teus
Com a podridão dos olhos meus
Que porém contudo se rendem
A fúria da paixão despertada
Ao som da chegada mansa
Do teu andar inebriante
Do teu olhar hipnotizante
E da tua presença contagiante.
Mas vem você chegando
E a dor que era excruciante
Aos poucos se esvai
Dançante
Como estes pensamentos
Que jamais tiveram razão de ser
Pois o mundo me trouxe
Você.

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